Pesquisa ligada à Uefs revelou 200 milhões de cupinzeiros milenares
Estudo com participação do biólogo Roy Funch ganhou repercussão mundial e levou o nome da Universidade às páginas do The New York Times
Uma descoberta científica com participação do biólogo Roy Richard Funch, doutor pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), ganhou repercussão mundial e chegou às páginas do The New York Times. Publicado em novembro de 2018 na revista Current Biology, o estudo revelou a existência de cerca de 200 milhões de montículos produzidos por cupins ao longo

de milhares de anos, formando uma das maiores estruturas biológicas conhecidas no planeta.
Os montes de terra, conhecidos como murundus, chegam a quatro metros de altura e nove metros de largura. Distribuídos a uma distância média de 20 metros uns dos outros, ocupam aproximadamente 230 mil quilômetros quadrados da Caatinga. A maior parte da área está na Bahia, alcançando municípios da Chapada Diamantina como Lençóis, Palmeiras e Mucugê, mas a formação também avança pelo norte de Minas Gerais e por outras áreas do semiárido nordestino.
Contribuição
O estudo mostrou que os murundus não são ninhos, mas depósitos do solo retirado pelos cupins da espécie Syntermes dirus durante a escavação de uma extensa rede subterrânea de túneis. Amostras coletadas em 11 montículos indicaram idades entre 690 e 3.820 anos. Os pesquisadores calcularam

Murundu comparado ao tamanho de um humano
que os insetos movimentaram cerca de dez quilômetros cúbicos de terra, volume equivalente ao de aproximadamente 4 mil pirâmides de Quéops.
O artigo foi assinado por Stephen J. Martin, Roy R. Funch, Paul R. Hanson e Eun-Hye Yoo. No trabalho científico, Funch aparece com a afiliação da Universidade Estadual de Feira de Santana. A descoberta repercutiu em veículos como The New York Times, The Washington Post e Associated Press, além de publicações especializadas e universidades estrangeiras. A citação institucional
apresentou a Uefs a uma audiência internacional e evidenciou a contribuição da Universidade para pesquisas desenvolvidas a partir da biodiversidade e das características ambientais do interior da Bahia.
Trajetória na Chapada
Roy Funch já investigava os montículos antes da formação da equipe internacional. Em 2015, publicou no Journal of Arid Environments um primeiro artigo sobre a presença dessas estruturas no semiárido nordestino. Norte-americano naturalizado brasileiro, ele chegou a Lençóis no final da década de 1970, ajudou na criação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, foi seu primeiro diretor e concluiu, em 2006, o doutorado em Botânica na Uefs, com uma tese sobre os limites da unidade de conservação. A Universidade mantém em Lençóis o Campus Avançado da Chapada Diamantina, que apoia atividades de ensino, pesquisa e extensão voltadas à região.

Fotos: Stephen J. Martin, Roy R. Funch, Paul R. Hanson e Eun-Hye Yoo/Current Biology – CC BY-SA 4.0
O pesquisador continua residindo em Lençóis e mantém forte ligação com a preservação e a produção de conhecimentos sobre a Chapada Diamantina. Em 2025, sua trajetória voltou a ser destacada durante as comemorações pelos 40 anos do Parque Nacional, em uma série de relatos sobre sua chegada à região e sua participação na criação da unidade. Embora não tenha sido localizada uma nova publicação científica de sua autoria naquele ano, Funch permaneceu presente em atividades e divulgações ligadas à pesquisa, à memória e à conservação ambiental da Chapada.
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Feira Hoje, 11/08/26




