Artigo / Por Dr Adalberto Nunes 2 de agosto de 2026

Escolas estão preparadas para ampliar a educação financeira?

Projeto em análise no Congresso propõe que estudantes aprendam a planejar gastos, evitar dívidas e reconhecer estímulos ao consumo desde a educação básica

As direções de escolas públicas e privadas precisam começar a discutir como a educação financeira poderá ser incorporada de maneira mais ampla às atividades pedagógicas. Embora algumas instituições já desenvolvam projetos, oficinas e ações sobre dinheiro, consumo e planejamento, o tema poderá ganhar maior presença nos currículos dos ensinos fundamental e médio.

De autoria da deputada federal Any Ortiz (PP-RS), o Projeto de Lei 2.979/2023 foi aprovado pelo Senado Federal com modificações e retornou à Câmara dos Deputados. Pelo texto atual, a educação financeira não será necessariamente transformada em uma disciplina isolada, mas deverá funcionar como tema transversal e integrador, abordado em diferentes áreas do conhecimento ao longo da formação escolar.

Preparação não deve esperar a aprovação

Educação financeira nas escolas pode ajudar a formar consumidores mais responsáveis Projeto em análise no Congresso prevê que estudantes aprendam a planejar gastos, evitar dívidas e reconhecer estímulos ao consumo desde a educação básicaMesmo antes da conclusão da tramitação no Congresso, as escolas podem avaliar de que forma o assunto já aparece em seus projetos pedagógicos e quais adequações serão necessárias. A preparação pode envolver a capacitação dos professores, a produção de materiais didáticos, a realização de atividades práticas e uma maior aproximação com as famílias.

Algumas instituições já trabalham a educação financeira por meio de feiras, jogos, oficinas, projetos interdisciplinares e atividades voltadas à organização de pequenos orçamentos. Essas experiências podem servir de referência, mas o desafio será fazer com que o tema deixe de depender apenas de iniciativas isoladas e passe a integrar o cotidiano escolar de forma planejada.

A importância desse conhecimento não se limita aos estudantes. Jovens, adultos e responsáveis também precisam compreender conceitos como orçamento doméstico, juros, crédito, parcelamento, poupança, investimento e endividamento. Quando essas informações são compartilhadas em casa, tornam-se ferramentas para organizar prioridades, enfrentar imprevistos e evitar que as despesas ultrapassem a renda disponível.

A educação financeira também pode contribuir para que as pessoas reconheçam mecanismos de estímulo à compra. Promoções, descontos condicionados, facilidades de parcelamento, publicidade direcionada e ofertas apresentadas como imperdíveis podem incentivar gastos desnecessários. Antes de comprar, é importante avaliar a necessidade do produto, comparar preços, calcular o valor total e considerar os efeitos da despesa sobre o orçamento dos meses seguintes.

Consumo responsável começa cedo

No caso das crianças, o aprendizado deve ocorrer de maneira adequada a cada faixa etária, mostrando que o dinheiro é limitado e resulta do trabalho. Atividades simples podem ensinar a diferença entre necessidade e desejo, a importância de guardar parte dos recursos e os cuidados com compras por impulso, inclusive em jogos, aplicativos e plataformas digitais.

A ampliação da educação financeira nos currículos exigirá mais do que o cumprimento formal de uma determinação. As escolas precisarão transformar o tema em experiências próximas da realidade dos estudantes, relacionando o conteúdo com situações vividas pelas famílias e pela comunidade.

Ao se anteciparem, as instituições públicas e privadas poderão construir propostas mais consistentes e evitar improvisações caso as novas orientações sejam efetivamente adotadas. Mais do que ensinar cálculos, a educação financeira pode ajudar a formar cidadãos capazes de avaliar riscos, estabelecer objetivos e fazer escolhas responsáveis na relação com o dinheiro.

*Adalberto Nunes é professor e colaborador do Feira Hoje.

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02/08/26

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