Coração brasileiro, torcida espanhola em Feira na final da Copa
Descendentes de imigrantes mantêm viva a ligação com a Espanha e preparam encontros familiares para a decisão contra a Argentina
O coração é verde e amarelo, ligado ao Brasil e à terra que acolheu pais e avós. Mas, no próximo domingo (19), famílias de origem espanhola que vivem em Feira de Santana vão vestir vermelho e amarelo para acompanhar Espanha e Argentina, às 16h, no New York New Jersey Stadium, em East Rutherford, no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Celestino Amoedo com a família
Filhos e netos de imigrantes, alguns nascidos na Espanha e muitos com dupla nacionalidade, eles mantêm costumes herdados principalmente da Galícia. Camisas da seleção, comidas típicas, músicas e histórias familiares estarão presentes nas reuniões organizadas para a
final, sem diminuir a identificação dessas famílias com Feira, a Bahia e o Brasil.
Duas pátrias e uma reunião familiar
Filho de um galego de Paradela, o professor de Educação Física da Universidade Estadual de Feira de Santana, Celestino

Amoedo afirma que, num confronto direto, torceria pelo Brasil. Agora, espera o título espanhol ao lado da família, com tortilha, empanada, mexilhões, queijos e vinho. “Ter duas pátrias para amar é ter o dobro de motivos para comemorar”, resume.

Antônio Peleteiro
O corretor de seguros Antônio Peleteiro (A.J. Peleteiro), filho de espanhóis, destaca o futebol coletivo de ‘La Roja’. “A Espanha nunca abandonou o futebol-arte. A expectativa é muito grande e, se vier o título, vamos fazer uma grande resenha”, afirma. O tio, Segundo Peleteiro Rajó, viveu mais de 50 anos em Feira e marcou a história do Fluminense, inclusive como presidente do Conselho Deliberativo. A.J. Peleteiro também jogou no juvenil do Touro do Sertão.
Organização e força coletiva

Kleber e Suzana San Galo
Neto do espanhol Jesus San Galo, o médico Armando Kleber San Galo Curvelo considera que a seleção preservou uma escola baseada na organização e no trabalho coletivo. Para ele, a vitória sobre a França aumentou a confiança para a decisão. O comerciante Urbano Landeiro Alvarez, que assistiu a esse jogo em Vigo, mas que já retornou a Feira de Santana, concorda: “A Espanha talvez não tenha tantas estrelas

Urbano Landeiro
individuais, mas possui uma educação tática impressionante e um conjunto muito forte”. Futebolista, Urbano já vestiu a camisa do Celta de Vigo.
O professor de Administração de Empresas da Uefs Hélio Ponce também carrega a herança galega. O avô materno, Francisco Ponce de León, era espanhol. “Sempre tive carinho pela Espanha, pela história, arte e cultura da Europa, principalmente a parte ibérica. No entanto, minhas raízes culturais

Hélio Ponce
e minha identificação são 100% Brasil e Nordeste”, afirma. Para a final, deseja um bom espetáculo: “Que vença o melhor. Coração na Espanha”.
Uma herança presente na Bahia
Não há números oficiais atualizados sobre espanhóis e descendentes em Feira, mas a presença dessas famílias pode ser percebida no comércio, nas profissões liberais, na educação e no esporte. Historicamente, a Bahia é citada como o terceiro maior núcleo espanhol do Brasil, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Em Salvador, essa herança aparece em instituições como o Galícia Esporte Clube (diversas vezes campeão baiano de futebol), o antigo Clube Espanhol e a Associação Cultural Hispano-Galega Caballeros de Santiago. No domingo, ela será novamente celebrada em Feira, com respeito à Argentina, amor pelo Brasil e torcida pela Espanha.
Everaldo Goes / Feira Hoje
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17/07/26




