Nos 50 anos da Uefs, 20 anos de ações afirmativas
Instituída em 2006, política de cotas colocou a universidade entre as pioneiras do país na democratização do acesso ao ensino superior
No ano em que celebra 50 anos de criação, a Universidade Estadual de Feira de Santana também marca duas décadas de uma das decisões mais importantes de sua história. Em 20 de julho de 2006, a Uefs instituiu, por meio da Resolução Consu nº 034/2006, a política de ações afirmativas para ingresso nos cursos de graduação.
A medida colocou a Universidade entre as primeiras instituições públicas do país a adotar uma política própria de reserva de vagas antes da Lei Federal de Cotas, sancionada apenas em 2012. No contexto da
Bahia, estado de população majoritariamente negra e marcado por profundas desigualdades sociais, a decisão teve significado ainda maior.
Marco histórico
Pela norma inicial, 50% das vagas de cada curso passaram a ser destinadas a estudantes egressos da rede pública de ensino, desde que tivessem cursado todo o Ensino Médio e pelo menos dois anos do Ensino Fundamental, da 5ª à 8ª série, também em escola pública. Dentro desse percentual, 80% das vagas eram reservadas a candidatos que se declarassem negros.
A resolução também garantiu duas vagas adicionais por curso para candidatos indígenas e quilombolas, caso houvesse demanda. O sistema começou a ser aplicado no Processo Seletivo 2007.1, primeiro vestibular da Uefs com adoção das cotas, abrindo uma nova etapa na relação da universidade com estudantes historicamente excluídos do ensino superior.
Nomes decisivos
A implantação da política teve participação direta da gestão do reitor José Onofre Gurjão Boavista da Cunha, que presidia o Conselho Universitário quando a resolução foi aprovada. Também merece destaque o empenho do então pró-reitor de Ensino de Graduação, Geraldo José Belmonte dos Santos, ligado diretamente à organização e à aplicação do novo sistema no processo seletivo da Universidade.
Ao longo dos anos, as normas passaram por mudanças e aperfeiçoamentos, acompanhando novos debates sobre acesso, permanência e reparação histórica. Mas o marco de 2006 permanece como referência central. Nos 50 anos da Uefs, os 20 anos das ações afirmativas ajudam a contar uma história de coragem institucional, compromisso público e ampliação do direito à universidade.
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10/07/26




