Um campeonato de cartas marcadas?
Neste grande campeonato de futebol, chama atenção a quantidade de posts nas redes sociais que apontam o que seriam erros propositais de arbitragem, olhos fechados do VAR e até supostos “descuidos” da geradora oficial de imagens dos jogos.
Segundo esses internautas, lances decisivos não estariam sendo revistos com a atenção necessária. Faltas, possíveis pênaltis e jogadas que ameaçam a meta de grandes seleções, dizem eles, por vezes desaparecem rapidamente da transmissão ou não ganham os repetidos closes que ajudariam o telespectador a formar uma opinião. E eles não ficam apenas na conversa. Mostram lances de jogo para fortalecer os argumentos.
Há quem enxergue, por trás disso, interesses maiores. A teoria é de que patrocinadores e grupos ligados ao espetáculo estariam interessados em ampliar ainda mais o prestígio de dois astros ibero-americanos e, consequentemente, valorizar a própria imagem. Em 2026, afinal, este evento continua sendo uma das maiores vitrines esportivas do mundo.
A suspeita ganhou força, para muitos, após a repercussão de uma capa publicada por importante veículo de comunicação dos Estados Unidos. A ilustração foi interpretada nas redes como uma espécie de “crítica profética” ao campeonato, ao sugerir, na visão de parte do público, quem seria o futuro campeão e até mesmo uma final entre os dois grandes nomes ibero-americanos.
É claro que, em princípio, devemos acreditar na honestidade da arbitragem, do VAR e das equipes responsáveis pelas imagens. Também é razoável admitir que erros acontecem, porque todos são humanos e sujeitos a falhas.
Mas algumas situações provocam estranhamento. Quando um superastro comete uma falta por trás, capaz de afastar o adversário não apenas daquele jogo, mas até da carreira, e sequer recebe uma advertência verbal, o torcedor pergunta. Quando, no último minuto dos acréscimos, uma falta desleal favorável a Cabo Verde, próxima à linha da grande área, é ignorada por um árbitro que estava a poucos metros do lance, sem manifestação do VAR e sem repetição adequada na transmissão, a dúvida cresce. A imagem corta o detalhe, o
lance não volta com clareza e o público fica sem elementos para avaliar o que realmente aconteceu.
Pode ser apenas um cochilo. Pode ser falha de arbitragem. Pode ser limitação técnica. Mas, quando episódios assim se acumulam, é natural que a confiança do torcedor seja abalada. Quem quiser pode conferir, na internet, os lances que alimentam esse debate.
Agora, porém, vem a parte mais importante deste texto.
Senhores pais, o esporte é indispensável para crianças, adolescentes e adultos. Coloquem os filhos em uma escolinha de futebol, no karatê, no judô, no jiu-jitsu ou em qualquer atividade que desenvolva disciplina, saúde, convivência e espírito de equipe. Praticar esporte é tão importante quanto estudar, ler, ouvir música, desenhar e ter contato com as artes.
Mas os jovens também precisam ser preparados para as decepções. Nem sempre os melhores são escolhidos. Em seleções, clubes, empresas e em muitos outros espaços, existem interesses, preferências, relações pessoais e decisões que nem sempre obedecem exclusivamente ao mérito.
É importante ensinar que esforço, talento e dedicação continuam valendo a pena, mesmo quando o resultado parece injusto. O esporte deve formar cidadãos fortes, capazes de competir com dignidade, reconhecer limites e seguir em frente quando a realidade não corresponde ao que seria ideal.
Porque, dentro ou fora do campo, nem sempre vence quem joga melhor. Mas sempre ganha algo quem aprende a não desistir.
Everaldo Goes é editor do Feira Hoje
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05/06/26




