Ciência 27 de junho de 2026

Terremotos na Venezuela reacendem dúvidas sobre a força e os riscos dos abalos sísmicos

Novo tremor após os grandes abalos desta semana reforça a importância de compreender a diferença entre magnitude, destruição e monitoramento sísmico

Terremotos na Venezuela reacendem dúvidas sobre a força e os riscos dos abalos sísmicosNovo tremor após os grandes abalos desta semana reforça a importância de compreender a diferença entre magnitude, destruição e monitoramento sísmico

Caracas desde elávila’ (Foto Olga Berrios Wikimedia Commons)

Os terremotos que atingiram a Venezuela nesta semana recolocaram uma dúvida comum no centro das conversas. Afinal, o que significa dizer que um abalo teve magnitude 7,5? Na noite de 24 de junho, dois fortes terremotos foram registrados quase em sequência no norte venezuelano, com magnitudes 7,2 e 7,5. Na sexta-feira (26), um novo tremor de magnitude 4,9 foi sentido em cidades como Caracas e Maracay, conforme informou a agência Reuters.

A expressão ‘escala Richter’ continua popular, mas os grandes terremotos são hoje medidos principalmente pela magnitude de momento, identificada pela sigla Mw. O método permite calcular com maior precisão a energia liberada por falhas geológicas extensas. Conforme o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a

Túneis El Valle e El Paraíso na Rodovia Francisco Fajardo, em Caracas. Foto Wilfredor Wikimedia Commons

Túneis El Valle e El Paraíso na Rodovia Francisco Fajardo, em Caracas
(Foto Wilfredor Wikimedia Commons)

magnitude indica o tamanho do evento em sua origem, e não define sozinha o nível de destruição que será visto em cada cidade.

Muito além do número

A escala de magnitude é logarítmica. Isso significa que a diferença entre um terremoto de magnitude 6 e outro de magnitude 7 não representa apenas um ponto a mais. O segundo produz ondas sísmicas com amplitude dez vezes maior e libera cerca de 32 vezes mais energia. Por isso, terremotos acima de magnitude 7 são considerados grandes eventos, com potencial para causar danos severos, especialmente quando ocorrem perto da superfície e de áreas urbanas densamente povoadas.

Mas magnitude e intensidade não são a mesma coisa. A magnitude é única para cada terremoto, enquanto a intensidade varia conforme o local em que o tremor é sentido. Distância do epicentro, profundidade, tipo de solo, duração do abalo, qualidade das edificações e concentração populacional influenciam os danos. Um terremoto forte em uma área pouco habitada pode causar menos estragos que um tremor menor próximo de prédios vulneráveis. Conforme o USGS, a intensidade é avaliada pelos efeitos observados nas pessoas, construções e no terreno.

Terremotos na Venezuela reacendem dúvidas sobre a força e os riscos dos abalos sísmicosNovo tremor após os grandes abalos desta semana reforça a importância de compreender a diferença entre magnitude, destruição e monitoramento sísmico

Ilustração GeoLine

Placas em movimento

A Venezuela está em uma região geologicamente mais ativa que o Brasil, marcada por sistemas de falhas e pela interação entre grandes blocos da crosta terrestre. Os terremotos são provocados pela liberação repentina de energia acumulada em fraturas do subsolo. Em escala continental, os movimentos das placas tectônicas ajudam a explicar por que a faixa andina e áreas do Caribe concentram mais abalos do que o interior do território brasileiro.

O Brasil está situado no interior da Placa Sul-Americana, longe das bordas tectônicas mais ativas, como a área em que a Placa de Nazca avança sob a América do Sul e contribui para a formação dos Andes. Isso reduz muito a possibilidade de terremotos devastadores, mas não torna o país imune. Conforme o Serviço Geológico do Brasil, o território brasileiro registra atividade sísmica intraplaca, ligada principalmente à reativação de falhas geológicas antigas sob pressão no interior da crosta.

Brasil monitorado

Pequenos tremores são registrados com frequência no país, embora muitos não sejam sentidos pela população. A Rede Sismográfica Brasileira reúne estações de monitoramento e instituições como o Observatório Nacional, a Universidade de São Paulo, a Universidade de Brasília, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e o Serviço Geológico do Brasil. Os equipamentos detectam vibrações do solo, ajudam a localizar epicentros e alimentam bancos de dados sobre a atividade sísmica brasileira.

Os abalos venezuelanos mostram que um número isolado não conta toda a história de um terremoto. A magnitude revela a energia liberada, mas a destruição depende de uma combinação de fatores naturais e urbanos. Conhecer como funcion9am os tremores, as placas tectônicas e as redes de monitoramento é uma forma de entender por que a Terra pode se mover todos os dias, mesmo quando quase ninguém percebe.

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Feira Hoje, 27/06/26

 

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