A Taça Roubada
Primeiro troféu da Copa do Mundo desapareceu no Brasil em 1983, depois de já ter sido roubado em Londres e escondido durante a Segunda Guerra
A Copa do Mundo de Futebol começa nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, e segue até 19 de julho, um domingo. No embalo de mais uma edição do maior torneio do planeta, vale lembrar uma história que mistura glória, descuido, crime e misté
rio: o desaparecimento da Taça Jules Rimet, primeiro troféu da Copa do Mundo, roubado da sede da CBF, no Rio de Janeiro, em dezembro de 1983.
A taça já pertencia definitivamente ao Brasil. A regra estabelecia que o país que conquistasse três Copas ficaria com o troféu em caráter permanente. Foi o que aconteceu depois do tricampeonato de 1970, no México, quando a Seleção Brasileira venceu a Itália por 4 a 1 e entrou para a história. Pouca gente lembra, mas aquela conquista não significou apenas a terceira estrela. Significou também a posse definitiva de uma peça única, com enorme valor simbólico para o futebol mundial.
Troféu já tinha escapado da guerra
Antes de desaparecer no Brasil, a Jules Rimet já havia passado por momentos dignos de filme. Durante a Segunda Guerra Mundial, o dirigente italiano Ottorino Barassi escondeu o troféu para evitar que ele caísse nas mãos dos nazistas. Anos depois, em 1966, às vésperas da Copa da Inglaterra, a taça foi roubada em Londres. O caso mobilizou a polícia britânica e ganhou repercussão internacional, até que o troféu foi encontrado por Pickles, um cachorro que farejava um pacote abandonado sob uma cerca.
No roubo de 1983, porém, não houve final feliz. A Jules Rimet foi levada da sede da CBF e nunca mais apareceu. A versão mais conhecida sustenta que o troféu teria sido derretido e transformado em barras de ouro. Houve prisões. Mas a verdade é que, oficialmente, a peça jamais foi recuperada. Com ela, desapareceram também as marcas materiais de uma era do futebol, incluindo as inscrições com os nomes dos campeões mundiais.
Versão oficial e mistério
O sumiço da taça foi sentido como uma perda nacional. Não era apenas um objeto de ouro, nem somente um prêmio esportivo. Era o símbolo de um período em que o Brasil se tornou referência absoluta no futebol, campeão em 1958, 1962 e 1970. A Jules Rimet guardava uma memória concreta dessas conquistas, especialmente do tricampeonato, que deu ao país o direito de levá-la para sempre.
Mais de quatro décadas depois, a história continua envolta em perguntas. A taça foi mesmo derretida? Poderia estar guardada, em silêncio, na estante de algum colecionador? Em ano de Copa do Mundo, a lembrança volta como uma provocação à memória nacional: um dia, a Jules Rimet ainda pode reaparecer?
Provavelmente, não. Infelizmente.
Por Everaldo Goes
Siga @feirahoje
11/06/26




