Futebol e Memória 10 de junho de 2026

A Taça Roubada

 Primeiro troféu da Copa do Mundo desapareceu no Brasil em 1983, depois de já ter sido roubado em Londres e escondido durante a Segunda Guerra

A Copa do Mundo de Futebol começa nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, e segue até 19 de julho, um domingo. No embalo de mais uma edição do maior torneio do planeta, vale lembrar uma história que mistura glória, descuido, crime e mistéA taça roubada Primeiro troféu da Copa do Mundo desapareceu no Brasil em 1983, depois de já ter sido roubado em Londres e escondido durante a Segunda Guerrario: o desaparecimento da Taça Jules Rimet, primeiro troféu da Copa do Mundo, roubado da sede da CBF, no Rio de Janeiro, em dezembro de 1983.

A taça já pertencia definitivamente ao Brasil. A regra estabelecia que o país que conquistasse três Copas ficaria com o troféu em caráter permanente. Foi o que aconteceu depois do tricampeonato de 1970, no México, quando a Seleção Brasileira venceu a Itália por 4 a 1 e entrou para a história. Pouca gente lembra, mas aquela conquista não significou apenas a terceira estrela. Significou também a posse definitiva de uma peça única, com enorme valor simbólico para o futebol mundial.

Troféu já tinha escapado da guerra

Antes de desaparecer no Brasil, a Jules Rimet já havia passado por momentos dignos de filme. Durante a Segunda Guerra Mundial, o dirigente italiano Ottorino Barassi escondeu o troféu para evitar que ele caísse nas mãos dos nazistas. Anos depois, em 1966, às vésperas da Copa da Inglaterra, a taça foi roubada em Londres. O caso mobilizou a polícia britânica e ganhou repercussão internacional, até que o troféu foi encontrado por Pickles, um cachorro que farejava um pacote abandonado sob uma cerca.A taça roubada Primeiro troféu da Copa do Mundo desapareceu no Brasil em 1983, depois de já ter sido roubado em Londres e escondido durante a Segunda Guerra

No roubo de 1983, porém, não houve final feliz. A Jules Rimet foi levada da sede da CBF e nunca mais apareceu. A versão mais conhecida sustenta que o troféu teria sido derretido e transformado em barras de ouro. Houve prisões. Mas a verdade é que, oficialmente, a peça jamais foi recuperada. Com ela, desapareceram também as marcas materiais de uma era do futebol, incluindo as inscrições com os nomes dos campeões mundiais.

Versão oficial e mistério

O sumiço da taça foi sentido como uma perda nacional. Não era apenas um objeto de ouro, nem somente um prêmio esportivo. Era o símbolo de um período em que o Brasil se tornou referência absoluta no futebol, campeão em 1958, 1962 e 1970. A Jules Rimet guardava uma memória concreta dessas conquistas, especialmente do tricampeonato, que deu ao país o direito de levá-la para sempre.

Mais de quatro décadas depois, a história continua envolta em perguntas. A taça foi mesmo derretida? Poderia estar guardada, em silêncio, na estante de algum colecionador? Em ano de Copa do Mundo, a lembrança volta como uma provocação à memória nacional: um dia, a Jules Rimet ainda pode reaparecer?

Provavelmente, não. Infelizmente.

Por Everaldo Goes 

Siga @feirahoje

11/06/26

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