Amélio Amorim e a arquitetura que reinventou Feira de Santana
Reinauguração do Complexo Carro de Boi resgata a memória do arquiteto que ajudou a transformar a paisagem urbana e cultural da Princesa do Sertão
A reinauguração do Complexo Carro de Boi, marcada para esta segunda-feira, 1º de junho, devolve aos feirenses um dos espaços mais simbólicos da vida cultural da cidade. Mais do que a entrega de um equipamento requalificado, o momento convida à lembrança de Amélio Amorim, arquiteto
que ajudou a transformar a paisagem urbana de Feira de Santana ao longo da segunda metade do século 20.
Nascido em Coração de Maria, em 21 de abril de 1929, Amélio Amorim chegou a Feira de Santana na década de 1950 e rapidamente se destacou por uma visão arquitetônica inovadora. Em uma cidade ainda marcada por construções tradicionais, passou a introduzir conceitos modernos sem romper com as referências sertanejas que faziam parte da identidade local. O resultado foi uma arquitetura que dialogava com o futuro sem abandonar as raízes da região.
Arquitetura e sertão
Ao longo da carreira, Amélio assinou
projetos que se tornaram referências em Feira de Santana, entre eles a Galeria Caribé, o Clube de Campo Cajueiro, residências marcantes e edifícios comerciais que contribuíram para redefinir a imagem urbana da cidade. A obra dele influenciou gerações de arquitetos e consolidou um novo olhar sobre o desenvolvimento urbano feirense.
Foi, porém, no Complexo Carro de Boi que o arquiteto reuniu de forma mais intensa as ideias sobre cultura, turismo e identidade regional. O empreendimento foi concebido como espaço de convivência e valorização da cultura sertaneja. O restaurante, a famosa Boate Jerimum, projetada em formato de abóbora, e as áreas destinadas a eventos transformaram o local em um dos principais pontos de encontro da sociedade feirense durante décadas.
Legado permanente
Ao lado da esposa, Irma Amorim, professora, escritora, artista plástica e produtora cultural, Amélio participou ativamente da vida cultural da cidade. A parceria entre os dois deixou marcas que ultrapassaram os limites da arquitetura. Após a morte do arquiteto, em acidente automobilístico ocorrido em 15 de maio de 1982, Irma continuou contribuindo para a educação e a cultura feirense até o falecimento, em 23 de novembro de 2010.
Décadas depois, a recuperação do Complexo Carro de Boi representa mais do que a preservação de um patrimônio físico. O espaço resgata a memória de um homem que enxergou no sertão uma fonte de inspiração para criar uma arquitetura original. Em cada traço das obras permanece viva a visão de um profissional que ajudou a reinventar Feira de Santana e a fortalecer a identidade cultural da Princesa do Sertão.
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Feira Hoje, 30/05/26




