AFL e Uefs celebram legado de Julieta Carteado nos 50 anos das instituições
Nascida em Ilhéus, primeira diretora da Biblioteca Central da Uefs e integrante do grupo fundador da Academia Feirense de Letras deixou marca permanente na educação e na cultura de Feira de Santana
Em 2026, dois dos mais importantes patrimônios educacionais e culturais de Feira de Santana celebram meio século de existência. A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e a Academia Feirense de Letras (AFL) completam 50 anos tendo em comum uma personagem cuja trajetória se confunde com a história das duas instituições. Nascida em Ilhéus, em 12 de setembro de 1927, Julieta Carteado Monteiro Lopes participou da construção da Universidade e esteve entre os nomes que ajudaram a consolidar a Academia.
Formada em Biblioteconomia pela então Universidade da Bahia, Julieta ingressou na Uefs em 1976 como a primeira bibliotecária concursada da Instituição. Participou da implantação da Biblioteca Central e, posteriormente, tornou-se a primeira diretora do órgão. Naquele período, a biblioteca funcionava em instalações modestas, em salas localizadas no Módulo Prático, no Módulo 2 do campus universitário. Ao longo de 12 anos de gestão, contribuiu para transformar o espaço em referência para estudantes, professores e pesquisadores.
Duas histórias
A atuação de Julieta não se limitou à Universidade. Ela participou dos movimentos que deram origem à Academia Feirense de Letras e assinou a ata que oficializou a entidade em 1984. Escritora, poeta, artista plástica e incentivadora da cultura, ajudou a fortalecer o ambiente intelectual da cidade. Em reconhecimento à contribuição, tornou-se patrona da Cadeira 24 da AFL, permanecendo como uma das figuras mais representativas da história da Instituição.
Na Uefs, além da direção da Biblioteca Central, integrou os conselhos superiores da Universidade e promoveu atividades que aproximavam literatura, artes visuais e comunidade acadêmica. Mulher negra em uma época marcada por barreiras sociais e raciais ainda mais rígidas, construiu uma trajetória de protagonismo e respeito, tornando-se referência para gerações de estudantes, servidores e profissionais da área de biblioteconomia.
Julieta Carteado faleceu em 23 de novembro de 1994, aos 67 anos, quando seguia de Salvador para mais um dia de trabalho na Uefs. Três décadas depois, o legado dela permanece vivo. A Biblioteca Central da Universidade leva seu nome e abriga um memorial dedicado à sua trajetória. Nos 50 anos da Uefs e da AFL, a memória de Julieta reafirma a importância das pessoas que ajudam a construir instituições destinadas a atravessar gerações.
Fonte: Academia Feirense de Letras
31/05/26




