Educação 29 de maio de 2026

Uefs reconhece saberes ancestrais ao conceder Doutorado Honoris Causa a Mãe Maria Pequena de Ogum

Honraria concedida pela universidade destaca mais de 50 anos de atuação na preservação da cultura afro-brasileira, da memória coletiva e da educação comunitária em Feira de Santana

A concessão do título de Doutora Honoris Causa a Mãe Maria Pequena de Ogum pela Universidade Estadual de Feira de Santana vai além de uma homenagem individual. Ao reconhecer uma liderança religiosa e comunitária como detentora da maior honraria acadêmica da instituição, a Uefs convida à reflexão sobre os diferentes modos de produção e transmissão do conhecimento na sociedade brasileira.Uefs reconhece saberes ancestrais ao conceder Doutorado Honoris Causa a Mãe Maria Pequena de Ogum Honraria concedida pela universidade destaca mais de 50 anos de atuação na preservação da cultura afro-brasileira, da memória coletiva e da educação comunitária em Feira de Santana

Aos 85 anos, a sacerdotisa nascida em São Gonçalo dos Campos e radicada em Feira de Santana recebeu o reconhecimento por uma trajetória de mais de 50 anos dedicada à preservação da cultura afro-brasileira, da memória ancestral e da educação popular. Mais do que celebrar uma pessoa, a homenagem sugere uma ampliação do próprio conceito de conhecimento. Ao lado dos saberes produzidos em salas de aula, bibliotecas, laboratórios e centros de pesquisa, a universidade reconhece o valor de experiências construídas na ancestralidade, na oralidade, na música, na cultura popular e nas práticas comunitárias que ajudam a formar a identidade de um povo.

Além da academia

Uefs reconhece saberes ancestrais ao conceder Doutorado Honoris Causa a Mãe Maria Pequena de Ogum Honraria concedida pela universidade destaca mais de 50 anos de atuação na preservação da cultura afro-brasileira, da memória coletiva e da educação comunitária em Feira de Santana

Professor Jeanderson Santos

Ao justificar a homenagem, o professor Jeanderson Santos, do curso de Licenciatura em Música da Uefs, destacou a importância dos conhecimentos preservados e transmitidos ao longo de décadas no Terreiro Maria de Ogum de Ronda. Segundo ele, a trajetória da homenageada reúne música, tradição e ancestralidade, contribuindo para a formação cultural de gerações e para o fortalecimento de identidades historicamente marginalizadas.

Durante a cerimônia realizada no Teatro da Uefs, a reitora Amali Mussi afirmou que, ao completar 50 anos, a universidade reafirma o compromisso de representar a comunidade na qual está inserida. Segundo ela, a outorga do título simboliza o reconhecimento da ancestralidade e dos saberes construídos fora dos espaços acadêmicos tradicionais, tornando a instituição mais plural, democrática e conectada à realidade social e cultural do povo baiano.

Uefs reconhece saberes ancestrais ao conceder Doutorado Honoris Causa a Mãe Maria Pequena de OgumHonraria concedida pela universidade destaca mais de 50 anos de atuação na preservação da cultura afro-brasileira, da memória coletiva e da educação comunitária em Feira de Santana

Reitora Amali Mussi

Superação de preconceitos

O significado da homenagem também alcança um debate mais amplo sobre diversidade e inclusão. Ao conceder a maior honraria acadêmica da instituição a uma liderança de matriz africana, a Uefs reforça a importância da superação de preconceitos históricos e do reconhecimento de contribuições que durante muito tempo permaneceram à margem das instituições formais de ensino. A iniciativa também dialoga com a necessidade de valorização de patrimônios culturais responsáveis pela preservação da memória e da identidade brasileira.

Ao receber o título, Mãe Maria Pequena de Ogum destacou o caráter coletivo da homenagem e agradeceu o acolhimento recebido na universidade. “É uma honra ser recebida com muita segurança e amor nesta instituição”, afirmou. A sacerdotisa ressaltou que seguirá dedicada ao cuidado das pessoas e ao acolhimento espiritual da comunidade. A honraria, nesse contexto, representa não apenas o reconhecimento de uma trajetória pessoal, mas também a valorização de saberes ancestrais transmitidos entre gerações e que continuam contribuindo para a formação cultural da sociedade.

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Feira Hoje, 29/05/26

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