Artigo / Por Humberto de Oliveira 23 de maio de 2026

Assim caminha a humanidade: entre luzes e sombras

Neste artigo, o professor Humberto de Oliveira propõe uma reflexão profunda sobre os caminhos da humanidade, os conflitos entre intolerância e esperança e o papel transformador da educação, da literatura e da convivência humana em tempos de medo, individualismo e incertezas.

A Edgar Morin

A humanidade sempre parece ter estado dividida em duas grandes camadas que se entreolham com pasmo ou rejeição.

De um lado, os que demonstram uma vontade férrea de julgar, punir e castigar, até mesmo com a eliminação física, todo e qualquer ato ou comportamento supostamente desviante de uma certa norma que este mesmo grupo queira ver como inquestionável.

Para estes indivíduos, a humanidade é, em si mesma, um projeto falido, sendo o homem, com suas fragilidades e pequenezas, um retumbante fracasso social e espiritual.

Nova Professor Humberto de OliveiraPara garantir sua zona de conforto, assacam dados supostamente avassaladores: os níveis de violência social, a corrupção em todas as esferas da sociedade, a demonização da Política. Para garantir sua própria existência, reivindicam uma liberdade sem freios, recusam qualquer contrato social que poderia tolher a realização de seus desejos e caprichos.

Somente a volta a um suposto passado mítico parece ser o caminho a ser seguido e, entre lamúrias e imprecações, clamam pelo que consideram “bons tempos passados”, sem jamais serem capazes de convencer aos outros, aos que não forem perguntados, desse suposto paraíso.

O ressentimento e até mesmo o ódio são os adubos que fazem crescer sua indignação para com as transformações sociais. Querem a garantia impossível de uma lei e uma ordem estanques, atemporais.

Do outro lado, uma parte desta mesma humanidade, independentemente do seu grau de instrução, diga-se de passagem, parece mesmo manter vivos os arquétipos fundamentais que mobilizam para uma vida centrada na afetividade.

O primeiro, o arquétipo da criança que, apesar das desilusões, não cansa de ter esperanças e se põe à prova, coração na mão, sem medo de voltar a estender a mão para o próximo, qualquer que seja sua aparência. Como Sísifo, esta gente não abandona a crença num mundo melhor e não se furta a traçar estratégias para implantar, na Terra habitada, a justiça social, como todo rebelde que sai em busca das curas dos males sociais.

Ao invés da desconfiança no ser humano, esta parte da humanidade propõe repensar os fundamentos da educação, pois sabe que o ser humano é produto da educação que recebeu e que o moldou. Lutando pela liberdade, não perde de vista que, sem a responsabilidade individual, a vida social se tornaria uma selva onde prevaleceria a lei do mais forte.

E sabem que não há nenhum paraíso a ser buscado, nem no passado nem no futuro: o Planeta Terra é sua casa e seu destino e todos os seus esforços deverão ser despendidos para que sejam criadas as condições para a prosperidade de todos. E, por isso, começam, cada qual, a reeducar-se para realizar as revoluções necessárias, que devem começar dentro de cada um, em escala planetária.

Tateando, por vezes à beira do precipício, a humanidade segue, por vezes retirando a venda dos seus olhos, outras vezes indo ao inferno pensando encontrar a luz, como nos lembram os versos de Lupicínio Rodrigues, e cabe a cada um de nós escolher se avançamos com o coração aberto, estendendo a mão ao próximo, construindo sonhos de olhos abertos, ou se, fechados em barricadas, continuamos a nos manter isolados, recusando a presença do Outro em nossas vidas, condenados a viver no medo, eternamente em guerras.

É assim, entre luzes e sombras, que caminha a humanidade, desde tempos imemoriais, embora contando com tecnologias inovadoras que são incapazes, por si mesmas, de transformar a história humana.

E não haverá nenhuma saída para escapar da barbárie que não seja pela educação emancipadora que ensine — pela literatura e pela leitura literária — a aprender a ser e a viver junto.

Somente assim poderemos quebrar este enfeitiçamento que condena a humanidade a viver sem esperanças e sem compaixão, com homens e mulheres perdidos em si mesmos, sem autonomia, mesmo achando que são livres para consumir sem limites.

*Humberto Luiz Lima de Oliveira, professor, membro honorário da Academia Metropolitana de Letras e Artes, membro efetivo das Academia Feirense de Letras, Academia Brasileira de Artes Integradas, Academia de Cultura da Bahia, Academia internacional de Literatura Brasileira, é também colunista do Jornal Feira Hoje.

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23/05/26

 

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