Desapropriação pretende fortalecer a atividade econômica no centro
Projeto do Centro Administrativo prevê reaproveitamento de imóveis históricos, concentração de secretarias no centro da cidade e incentivo à moradia em áreas centrais para reduzir deslocamentos e estimular a circulação econômica
A desapropriação de uma grande área no centro de Feira de Santana para implantação do novo Centro Administrativo do Município surge também como uma estratégia para fortalecer a atividade econômica da região central, preservar empregos e estimular a circulação de pessoas em uma cidade em plena expansão urbana e industrial. O decreto foi anunciado nesta sexta-feira pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho, durante evento realizado no Paço Municipal Maria Quitéria, com a presença de representantes de diversos setores da sociedade, vereadores, membros do governo municipal e da imprensa.
A proposta da administração municipal é reunir secretarias atualmente espalhadas em imóveis alugados em um único complexo administrativo no coração da cidade, aproveitando a estrutura dos prédios já existentes, sem demolições. Ao Feira Hoje, o secretário municipal de Planejamento, Carlos Brito, afirmou que os imóveis terão as estruturas reaproveitadas. O prefeito José Ronaldo também ressaltou que o Município possui condições financeiras para executar a iniciativa e destacou a intenção de estimular a ocupação residencial das áreas centrais, reduzindo deslocamentos urbanos e fortalecendo a dinâmica econômica da região.
Centro e empregos
A preocupação da Prefeitura dialoga com experiências vividas em outras cidades brasileiras. José Ronaldo lembrou que em Salvador, a implantação do Centro Administrativo da Bahia, no final dos anos 1970, deslocou parte significativa da estrutura pública para uma área então afastada do núcleo urbano tradicional, contribuindo para o esvaziamento gradual do antigo centro comercial da capital baiana. Em São Paulo, décadas depois, o próprio governo estadual iniciou movimento inverso, planejando levar estruturas administrativas novamente para a região central, buscando revitalização econômica e urbana.

Fotos: Jorge Magalhães / Secom PMFS
O debate ganha relevância em Feira de Santana diante das transformações econômicas em andamento. O município possui forte atividade industrial, com cerca de 36,8 mil pessoas empregadas no setor, além de empresas locais exportando produtos para os Estados Unidos e países da Europa. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o avanço das vendas on-line e os impactos sobre o comércio tradicional e os empregos nas lojas físicas. Durante o anúncio, o prefeito demonstrou preocupação com essa mudança de comportamento econômico e com os efeitos futuros sobre o centro comercial da cidade.
Cidade em expansão
O novo Centro Administrativo também é pensado dentro de um cenário de crescimento acelerado de Feira de Santana. O município aparece entre os que mais constroem imóveis financiados pela Caixa Econômica Federal no país, ficando atrás apenas das capitais São Paulo, Rio de Janeiro e João Pessoa. A avaliação da gestão municipal é de que concentrar serviços públicos no centro poderá ampliar o fluxo diário de consumidores, fortalecer pequenos negócios e evitar um processo de esvaziamento semelhante ao vivido em outras cidades brasileiras.
A área desapropriada fica ao lado sede da Prefeitura e envolve imóveis históricos onde funcionaram o antigo Hotel Caroá, a Farmácia Caroá e o tradicional Colégio Santanópolis. Segundo o prefeito, o projeto é resultado de estudos desenvolvidos há anos pela Secretaria de Planejamento, buscando reduzir gastos com aluguéis, modernizar a administração pública e criar um novo eixo de fortalecimento econômico para o centro da cidade.
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Feira Hoje, 23/05/26




