Reitoras reafirmam protagonismo feminino nas universidades públicas
Gestoras da Uefs, Uneb e UFRB defendem inclusão, enfrentamento das opressões e inspiram meninas a ocuparem espaços historicamente negados às mulheres
As mulheres ocuparam o centro do debate no segundo dia do 1º Congresso da Universidade Estadual de Feira de Santana, na terça-feira (05), em uma mesa-redonda marcada por reflexões sobre inclusão, combate às opressões e o papel transformador da educação pública. O encontro reuniu as reitoras da Uefs, Uneb e UFRB em um momento que ultrapassou os limites acadêmicos e se transformou também em símbolo de representatividade feminina.

Fotos: Bernardo Bezerra / Uefs
Sob mediação da professora da Uneb Dina Maria Rosário, participaram do debate as professoras Amali Mussi, Adriana Marmori e Georgina Gonçalves. Em comum, as três defenderam uma universidade pública mais inclusiva, diversa e conectada com as necessidades da população, especialmente daqueles grupos historicamente excluídos dos espaços de poder.
Espaços conquistados
Durante o encontro, Georgina Gonçalves observou que o cargo de reitora ainda carrega uma herança historicamente masculina, o que torna a presença feminina nesses postos um gesto de ruptura e transformação. Segundo ela, defender a universidade pública é também defender um projeto de sociedade mais inclusivo, capaz de ampliar oportunidades e combater desigualdades sociais.
Ao responder à pergunta de um estudante sobre a presença feminina na Agronomia, a reitora da UFRB lembrou que as mulheres tiveram papel fundamental no desenvolvimento da agricultura ao longo da história. Segundo ela, foram as mulheres que descobriram técnicas de plantio e cultivo em diferentes sociedades humanas, conhecimento que permanece vivo até hoje. A fala arrancou aplausos e reforçou a necessidade de reconhecer contribuições femininas muitas vezes apagadas pela história oficial.
Vozes femininas
A reitora Amali Mussi destacou que ainda existem tentativas de afastar mulheres e minorias de determinados espaços acadêmicos e sociais. “Quando dizem que nossos corpos não pertencem a este lugar, temos que enfrentar isso”, afirmou. Para ela, não existe excelência universitária sem inclusão, acolhimento e combate ao racismo, ao sexismo e à LGBTfobia.
Já Adriana Marmori defendeu que a educação de qualidade precisa enfrentar diretamente as estruturas de opressão. Segundo a reitora da Uneb, inclusão não significa apenas acesso à universidade, mas condições reais para que estudantes possam permanecer, disputar espaços de poder e transformar a sociedade.
O debate também destacou que as universidades públicas brasileiras têm maioria feminina em diferentes áreas acadêmicas, resultado de décadas de luta pelo direito à educação. Em um auditório repleto de estudantes, servidores, docentes e representantes da comunidade externa, a presença das três reitoras acabou se transformando em inspiração para meninas e jovens mulheres, inclusive das classes menos favorecidas, que passam a enxergar novos horizontes possíveis dentro da universidade pública.
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06/05/26




