Cannabis medicinal avança, mas acesso ainda é restrito no Brasil
Uso terapêutico cresce com novas regras da Anvisa, porém alto custo e estigma mantêm tratamento distante da maioria
As informações são da Fiocruz. O uso medicinal da cannabis tem avançado no Brasil, trazendo alívio para pacientes com dores crônicas, epilepsia e sintomas associados a tratamentos agressivos, como a quimioterapia. Apesar dos benefícios relatados, o acesso ainda é limitado, principalmente devido ao alto custo dos produtos e às dificuldades de produção nacional.
Nos últimos anos, o número de pacientes⁵ que recorrem a derivados da maconha cresceu de forma significativa. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária indicam que o país ultrapassou 194 mil autorizações para importação desses produtos em 2025. Ainda assim, a dependência da importação mantém os preços elevados e dificulta a inclusão desses medicamentos no Sistema Único de Saúde.
Acesso limitado
Mesmo com relatos positivos, como a redução de dores, melhora do sono e controle de crises, muitos pacientes enfrentam obstáculos para manter o tratamento. O custo pode chegar a cerca de R$ 3 mil por frasco em farmácias, o que leva parte dos usuários a recorrer à Justiça ou interromper o uso por falta de condições financeiras.
A regulamentação também está em transformação. Em 2026, a Anvisa aprovou novas regras para cultivo, produção e controle de qualidade da cannabis para fins medicinais e científicos. A expectativa é que a medida facilite a produção no país, especialmente por associações de pacientes, e contribua para reduzir custos e ampliar o acesso.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que ainda há desafios importantes. As evidências científicas continuam em construção para várias doenças, e o estigma histórico em torno da maconha ainda influencia o debate público e as políticas de saúde. Enquanto isso, pacientes e familiares seguem defendendo a ampliação do acesso e a incorporação dos tratamentos no SUS.
Siga @feirahoje
04/05/26




