Pesquisa da Fiocruz mostra que Doença de Chagas permanece em Feira de Santana
Estudo identifica casos positivos em ação de triagem cardíaca e reforça atenção à circulação do parasita na região
A Doença de Chagas segue presente em Feira de Santana. É o que aponta um estudo conduzido pela Fiocruz Bahia, divulgado em março, que identificou casos da infecção durante uma iniciativa comunitária de triagem cardíaca realizada no município.

Arte: Fiocruz Bahia
A pesquisa, coordenada pelo pesquisador Fred Santos, investigou a presença do parasita Trypanosoma cruzi entre participantes da ação. Ao todo, 1.115 pessoas passaram por exames cardíacos, incluindo eletrocardiogramas e avaliação por cardiologistas com apoio de telemedicina.
Triagem
Durante o estudo, os pesquisadores aplicaram um modelo de estratificação de risco que reuniu dados clínicos, informações epidemiológicas e análise de exames por inteligência artificial. A partir desse cruzamento, 112 pessoas foram selecionadas para testes laboratoriais específicos para detecção da infecção.
Entre os participantes testados, 13 apresentaram resultado positivo, o que corresponde a uma taxa de 11,6 por cento no grupo analisado. O levantamento também apontou maior probabilidade de infecção entre pessoas que relataram ter visto barbeiros dentro de casa, além de indicar a influência da migração de áreas endêmicas da Bahia.
Doença
Causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, a Doença de Chagas é uma infecção que pode permanecer silenciosa por anos e, em muitos casos, só se manifesta quando já há comprometimento do coração ou do sistema digestivo. A principal forma de transmissão ocorre por meio do inseto conhecido como ‘barbeiro’, que pode carregar o parasita e contaminá-lo ao entrar em contato com a pele humana.
Além da transmissão vetorial, a infecção também pode ocorrer por ingestão de alimentos contaminados, transfusão de sangue, transplante de órgãos ou de mãe para filho durante a gestação. Os achados reforçam que a doença não pertence apenas ao passado e indicam a necessidade de ampliar ações de diagnóstico e controle.
A coleta de dados foi realizada em 2024, e os resultados foram publicados em 2006 na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases, uma das principais publicações internacionais dedicadas às doenças tropicais negligenciadas.
Com informações Dalila Brito / Fiocruz Bahia
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27/04/26




