Exposição destaca presença indígena na Uefs e celebra trajetórias de resistência
Foi aberta nessa quinta-feira (23), no foyer da Biblioteca Central Julieta Carteado, no campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), a exposição fotográfica ‘A presença indígena na Uefs – desafios resistência e transformações’. A mostra reúne registros que evidenciam a trajetória de estudantes indígenas na Instituição,
destacando vivências, conquistas e os desafios enfrentados no ambiente acadêmico.
O evento contou com a presença da reitora Amali Mussi, do diretor do Museu Casa do Sertão, Cristiano Cardoso, além da servidora e fotógrafa Hortência Sant’Ana, responsável por parte das imagens expostas. A iniciativa integra ações voltadas à valorização da diversidade e ao fortalecimento das políticas de inclusão no ensino superior, reafirmando o papel da Universidade no acolhimento e na permanência de estudantes indígenas.
História
Desde 2007, a Universidade recebe estudantes indígenas por meio do sistema de reserva de vagas. Ao longo desse período, a presença de diferentes etnias transformou não apenas a vida dos próprios estudantes, mas também a dinâmica institucional.
“Esses indígenas ingressantes trouxeram consigo suas culturas, seus modos de ser e de existir, o que gerou mudanças não só neles, mas na própria Instituição”, destacou a professor Norma Lúcia Almeida, uma das coordenadoras do Anjujá – Centro de Memória dos Povos Indígenas.
Com organização da museóloga Joseane Macedo, do Museu Casa do Sertão, a mostra também resgata conquistas importantes, como a criação, em 2010, da residência indígena dentro do campus, fruto da mobilização estudantil. O espaço se consolidou como referência nacional, funcionando como ambiente de acolhimento e resistência, além de contribuir para a permanência dos estudantes em condições mais adequadas às suas especificidades culturais.
Desafios
Apesar dos avanços, a permanência dos estudantes indígenas ainda é marcada por obstáculos. A busca por uma Universidade mais sensível à diversidade e às demandas
desses povos faz parte do cotidiano acadêmico. “O ser indígena no contexto universitário, muitas vezes, leva estes indivíduos a acionarem todo o seu repertório identitário para se afirmarem diante de situações, por vezes, preconceituosas”, observa Patrícia Navarro Couto, também coordenadora.
A exposição também evidencia trajetórias de sucesso. Muitos egressos indígenas da Universidade hoje atuam em diferentes áreas profissionais, levando consigo não apenas a formação acadêmica, mas o fortalecimento de suas identidades e a afirmação de seus povos. A iniciativa, realizada com apoio institucional, reforça o compromisso da Uefs com a inclusão, a diversidade e a construção de um ambiente acadêmico mais plural e consciente.
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Feira Hoje, 24/04/26




