Sindicato não quer que benefício seja estendido a não filiados
Por Redação Feira Hoje
Imagine a seguinte situação: um grupo de trabalhadores conquista o direito a um benefício básico, como o auxílio alimentação. Mas, em vez de comemorar a conquista ou lutar para que todos os colegas também sejam contemplados, uma entidade que deveria representá-los questiona — formalmente — por que mais pessoas estão recebendo esse benefício, além dos sindicalizados. Um absurdo? Sim. Mas não é ficção. Está acontecendo em entidade representativa de servidores públicos da Bahia.
A atitude chama atenção porque inverte o que se espera de uma organização sindical: ampliar direitos, e não restringi-los. Aparentemente, o incômodo está no fato de que servidores não filiados estariam acessando um direito que, segundo a interpretação da entidade, seria exclusivo dos seus associados.
Esse tipo de postura revela uma distorção perigosa quando o sindicato age mais como um clube de vantagens do que como instrumento de luta coletiva. Ainda que, juridicamente, certas decisões beneficiem apenas filiados, o dever político e ético de uma entidade representativa é outro — é o de lutar para que os direitos alcançados sejam universalizados.
Ao tentar restringir um direito, em vez de defender sua ampliação, a entidade perde legitimidade diante da categoria que representa. Pior, colabora para dividir os trabalhadores entre “os que merecem” e “os que não merecem” — um discurso que se aproxima perigosamente da lógica patronal e enfraquece a própria luta sindical.
Não se trata de ignorar o papel da filiação. Ela é importante, garante recursos e fortalece a organização. Mas quando o acesso a direitos básicos passa a ser condicionado a ela, a linha entre representação legítima e exclusão institucional se torna tênue — e perigosa.
Neste momento em que direitos são ameaçados em diversas frentes, a pergunta que deve ecoar é: a quem interessa enfraquecer a solidariedade entre os trabalhadores? Porque sindicato que levanta muros, em vez de construir pontes, pode estar esquecendo para quem — e para quê — deveria existir.
15/05/25




