Da Libertadores à Micareta 6 de maio de 2025

Irmãos colombianos viram catadores em Feira após derrota do Atlético Nacional para o Bahia

Dois irmãos colombianos, torcedores do Atlético Nacional, decidiram viver uma aventura digna de filme de estrada — mas com roteiro escrito pelo acaso (e um pouco de sofrimento sul-americano). Eles cruzaram países na base da carona por um mês inteiro, só para ver seu time jogar contra o Bahia, na Fonte Nova, em Salvador, pela Libertadores.

O jogo foi no dia 24 de abril. Eles estavam lá, na arquibancada, cheios de esperança. Mas deu ruim: Bahia 1 x 0 Atlético Nacional. Além da derrota, o pior ainda estava por vir — acabaram ficando sem dinheiro e sem rumo na capital baiana. O sonho da Libertadores virou realidade de rua.

Foi quando ouviram falar da Micareta de Feira de Santana, de 1º a 4 de maio. “Festa? Multidão? Lata de cerveja pra todo lado?” — pensaram. “É lá que a gente vai recuperar o prejuízo.” E vieram de carona para Feira, dessa vez não atrás de gols, mas atrás de latinhas.

Na avenida, se tornaram catadores improvisados, trabalhando no meio da folia para juntar uns trocados e, quem sabe, voltar pra casa com alguma dignidade (e talvez uma camisa do Vitória, só pra provocar o Bahia, como eles mesmo disseram).

A história chegou até a equipe da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, que atuou em parceria com a Prefeitura de Feira durante a Micareta para acolher pessoas em situação de vulnerabilidade. “Eles estavam completamente desamparados. Fizemos contato com a família na Colômbia, deram entrada em abrigo, alimentação e conseguimos ajudá-los a se reorganizar”, contou Raimundo Nascimento, chefe de Gabinete da Secretaria. Nascimento conversou com o Feira Hoje, nesta terça-feira (06), após coletiva de Bruno Monteiro, secretário de Cultura do Estado da Bahia, no Centro de Convenções, sobre as ações desenvolvidas na Micareta.

Não foram revelados os nomes dos dois andarilhos — não havia como buscar autorização para isso, pois, já tinham pegado ‘carona’ de volta, deixando no ar apenas a lembrança da aventura. Mas ficaram algumas pistas: tinham 18 e 19 anos, eram irmãos, apaixonados por futebol… E revoltados com a derrota para o Bahia. Tanta raiva que, segundo relatos, tentaram adquirir uma camisa do rival Vitória antes de deixar a cidade. A viagem volta foi viabilizada pela parceria Prefeitura/Governo do Estado).

No fim das contas, não sabemos se eles voltaram com o bolso cheio ou com a mochila vazia. Mas que levaram uma história pra contar no café de Medellín, isso é certo. Nem todo torcedor pode dizer que viu seu time perder, virou catador no Carnaval fora de época da Bahia e ainda cogitou mudar de camisa — tudo em nome da sobrevivência.

Libertadores é isso. Às vezes você ganha, às vezes acaba na pipoca da Micareta.

Everaldo Goes / Feira Hoje

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