Pesquisa e Saúde 6 de maio de 2025

Estudo da Fiocruz associa gravidade da Covid-19 à desregulação de sistema que controla inflamação e pressão arterial

Por que a Covid-19 evolui de forma mais severa em alguns pacientes? Infecção está associada à redução de proteínas, especialmente em pessoas idosas e com comorbidades, como diabetes e hipertensão

Um estudo conduzido pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) oferece novas evidências sobre esse processo, ao identificar alterações em um sistema biológico fundamental para o equilíbrio do organismo: o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA).

Publicado na revista BMC Infectious Diseases, o trabalho analisou amostras de sangue de 88 pacientes hospitalizados com Covid-19, em diferentes fases da doença, além de 20 indivíduos saudáveis. Os resultados mostram que a infecção pelo Sars-CoV-2 está associada à redução de proteínas do sistema SRAA, especialmente em pessoas idosas e com comorbidades, como diabetes e hipertensão, que também apresentaram quadros mais graves.

O SRAA é responsável por regular a pressão arterial e a resposta inflamatória. Uma das proteínas desse sistema, a ACE2, já é conhecida por ser a porta de entrada do vírus nas células humanas. No entanto, a pesquisa expandiu a análise para outros receptores do sistema, como MAS1 e ACE, e constatou uma diminuição expressiva de sua atividade em pacientes com formas graves da doença.

Além disso, os dados revelam que essa desregulação persiste por meses após a fase aguda da infecção, o que pode estar relacionado à chamada “Covid longa” — quadro em que os sintomas se prolongam por semanas ou meses.

Outro achado importante foi a alteração na expressão de microRNAs (miRNAs), pequenas moléculas que regulam a produção de proteínas no organismo. Essas mudanças também se mostraram associadas à gravidade dos sintomas.

Segundo as autoras, as descobertas ajudam a explicar por que determinados grupos são mais vulneráveis à Covid-19 e indicam caminhos para o desenvolvimento de terapias mais específicas. A regulação dos miRNAs e dos receptores do SRAA pode se tornar uma estratégia promissora para mitigar os efeitos da doença e proteger funções já comprometidas nos pacientes.

Feira Hoje, com informações da Fiocruz

06/05/25

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