Artigo / Por Everaldo Goes 3 de maio de 2025

Micareta de Feira: fomos copiados, sim senhor! “Espiões” estiveram entre nós!

Pode apostar: a Micareta de Feira de Santana é pioneira. A primeira do Brasil. E temos até provas históricas e pistas suspeitas de espionagem carnavalesca!

A história começa em 1937, quando uma chuvarada desabou sobre o Semiárido baiano e atrapalhou o último dia do Carnaval em Feira de Santana. Era justamente o dia mais esperado, com carros alegóricos e fantasias prontinhas para sair às ruas. Mas nada foi pra rua, só água! Os feirenses, no entanto, não aceitaram a derrota e no mesmo ano criaram outro Carnaval – só que em abril, e de quatro dias (não apenas um, para “repor” a festa interrompida em fevereiro. Foi tanto sucesso que, no ano seguinte, o Carnaval oficial foi cancelado por aqui. No lugar, nasceu a Micareme – nome francês, chique – que, por ordem do gosto popular, logo virou Micareta, esse nome que a gente carrega com orgulho há quase 90 anos.

Feira foi pioneira. Durante muito tempo, ninguém mais fazia isso no Brasil. Era “o Carnaval de abril que sacode o Brasil”! Só depois de décadas é que outras cidades resolveram seguir o exemplo. Coincidência? Duvido! Sabe por quê?

Pois bem, agora vem o fato: encontramos uma nota escrita em 1989 no Jornal Feira Hoje, que entrega o jogo. Um forasteiro – vamos chamá-lo de “observador carnavalesco” – veio lá do Rio Grande do Norte, curtiu todos os dias da festa, se encantou com a alegria popular, com o trio elétrico, com as barracas de cerveja gelada e… disse com todas as letras que ia levar a ideia pra sua cidade. Cinco dias de festa, trio na rua, banda Cheiro de Amor e Chiclete com Banana no som – o sujeito saiu daqui com a fórmula do sucesso anotada no bolso. E ele ainda disse que foi presidente de blocos carnavalescos por lá, que nunca tinha vingado…

Sim, senhoras e senhores, fomos copiados. A Micareta de Feira foi espionada. Vieram aqui ver como a gente fazia, anotaram tudo e depois espalharam pelo Brasil. E não foi só esse moço da nota, não – aos poucos, empresários, músicos e até políticos perceberam que Micareta era bom negócio. E hoje temos micaretas fora de época em tudo quanto é canto.

Mas a original, a verdadeira, a mãe de todas as micaretas… nasceu aqui.

E enquanto outras cidades tentam copiar, a gente continua inventando. A Micareta 2025 tá aí, desde a noite de quarta-feira até este domingo (4), mais viva do que nunca. Hoje é sábado, 3 de maio, e a folia segue firme. Que venham os “espiões” – mas que tragam o gelo e não levem o segredo.

*Everaldo Goes é graduado em Licenciatura em História, jornalista e editor do Feira Hoje.

03/05/25

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