Literatura 29 de abril de 2025

Livro organizado por Taurino Araújo homenageia semióloga Licia Soares de Souza

Obra reúne intelectuais de renome internacional 

Foi lançada na última quarta-feira (23), na Academia Baiana de Letras (ABL), a coletânea ‘Signos em transe: uma fortuna crítica sobre a semiótica de Licia Soares de Souza’, organizada pelo jurista, professor e poeta Taurino Araújo. A obra reúne mais de 62 estudiosos de destaque nacional e internacional, em uma ampla homenagem à renomada semióloga brasileira.

Entre os autores que assinam os capítulos estão nomes consagrados como Winfried Nöth, Zila Bernd, Emiliano José, Eurídice Figueiredo, Rita Olivieri-Godet, Bernard Andrès, Nubia Hanciau, Claire Varin, Louise Duprè, Jean-François Côté, Luiz Eudes e Calmon Teixeira. A obra se propõe não apenas como tributo, mas como espaço fecundo para debates sobre ensino, pesquisa e extensão em diversas áreas das ciências humanas.

Pedro Daniel Souza (chefe de gabinete da Reitoria), Aleilton Fonseca (presidente da ALB), Lícia Soares de Souza, Rodney Saint-Elói e Taurino Araújo, amigo da filosofia da ciência e das artes, com apoio do CNPq e da Uneb

Com uma abordagem transdisciplinar, ‘Signos em transe’ conecta a semiótica a campos como literatura, linguística, comunicação social, ensino de línguas, francofonia, crítica literária, estudos sobre Canudos, arte e literatura comparada. O resultado é um panorama plural que reflete o percurso intelectual da própria Lícia Soares de Souza — cuja produção acadêmica é marcada pela abertura ao diálogo entre culturas e saberes.

Taurino Araújo, curador, organizador e apresentador da obra, é autor de ‘Hermenêutica da desigualdade: uma introdução às ciências jurídicas e também sociais’ (Del Rey, 2019), doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, crítico literário e intelectual comprometido com uma epistemologia brasileira voltada à justiça e à transformação social. Sua curadoria ultrapassa os limites da homenagem, reafirmando o papel da universidade como guardiã da ciência, da arte e da filosofia.

Segundo a própria Licia Soares de Souza, a coletânea “engrandece não só minha trajetória, mas também os campos da filosofia, da ciência e das artes, que encontram nas universidades seu espaço mais potente de cultivo e resistência”. A autora destaca ainda a relevância histórica do livro para instituições onde desenvolveu sua carreira acadêmica, como a  Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

A obra também reflete sua inserção internacional, ao abordar a trajetória dos estudos em semiologia na Universidade do Quebec em Montreal (UQAM), no grupo de indústrias culturais da Université Laval, e nas universidades alemãs de Kassel e Saarlandes — onde a autora atuou com pesquisas e conferências sobre temas como telenovelas e cinema quebequense.

Signos em transe propõe-se, assim, como mais que um livro comemorativo: trata-se de uma obra de aprendizagem. Com base em conceitos-chave da semiótica e da literatura comparada, oferece ao leitor reflexões essenciais para compreender os dilemas contemporâneos, propondo novas formas de leitura, interpretação e ação diante de um mundo em constante transformação.

Cyro de Mattos: Quarta Capa para Lícia

“Amigo Calmon Teixeira, boa noite. Acabo de ler seu texto denso e lúcido sobre uma intelectual rara, a Emérita caminhante da semiótica Lícia Soares de Souza, que enriquece com seus estudos argutos a progressão do pensamento humano ao longo dos séculos.

“Bem escrito, fundamentado com argumentos inteligentes, apoiado com suficiência em intérpretes renomados do conhecimento humano, extraído das zonas onde vivos pulsam esclarecimentos pelos quais o homem sabe melhor de si e dos outros no seu estar no mundo.

“Bela e rica homenagem de um texto que se estende ao Taurino Araújo, um curador cheio de sentimentos, razões pertinentes, luzes diversas do saber para saber, pois bem sabe fazer o papel de muitos quando dialoga com os humanos e, incansável, percorre tantas estradas que existem na terra para se desvendar a problemática duvidosa da existência.

“De parabéns o autor dessa confissão exemplar, dedicada a quem melhor merece, uma mulher dotada de alma, força e vida e, a um só tempo, alcança um curador dono de sensibilidade apurada e uma razão arguta, os dois que em uma aliança coesa se integram aqui nesse espaço de fraternidade para valorizar e preservar importantes singularidades do pensamento semiótico contemporâneo.

“Autor do texto, homenageada e curador juntam sem esforço suas vozes que no texto ressoam com o intuito de entregar à humanidade um ato de fé na eternidade do pensamento humano que acontece e passa ante o efêmero que fica. Parabéns. Abraços”.

Cyro de Mattos — da Academia de Letras da Bahia, Cadeira 22.

29/04/25

Edição: Everaldo Goes / Feira Hoje

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