Ciência 14 de março de 2025

Disfarçando as evidências: veja diferenças entre a coral-verdadeira e a falsa-coral

Ficar longe é a recomendação; no Brasil, mais de 60 espécies copiam o padrão de vermelho, preto e branco da coral-verdadeira, uma das serpentes mais perigosas

Mestres na arte da ilusão, as falsas-corais são cobras não peçonhentas (em sua maioria) que se aproveitam de um fenômeno evolutivo chamado mimetismo: elas possuem aparência muito semelhante à da coral-verdadeira, uma das serpentes mais perigosas do Brasil. De longe, as duas parecem iguais: corpo arredondado e listras vermelhas, pretas e brancas, que espantam os inimigos. Mas, como em um jogo dos sete erros, pequenas diferenças entregam o disfarce.

Existem mais de 60 espécies de falsas-corais no território brasileiro. De coral-verdadeira, são 41, divididas em dois gêneros: Micrurus (o mais conhecido, que predomina na Mata Atlântica) e Leptomicrurus (que habita a Amazônia e possui algumas espécies com listras amarelas).

Geralmente, o que varia entre elas são características como o formato e a cor da cabeça, a boca, a disposição e a extensão das listras e o tamanho dos olhos. No entanto, algumas espécies são tão semelhantes que diferenciá-las é quase impossível. Por isso, o recomendado pelos especialistas ao se deparar com qualquer

Para a maioria das pessoas, é praticamente impossível distinguir a coral verdadeira da falsa

serpente é sempre se afastar, para evitar acidentes, e buscar ajuda profissional caso o animal esteja em ambiente urbano. É possível acionar o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil ou o Controle de Zoonoses.

Na natureza, as falsas-corais se dão bem: sua coloração é reconhecida como um alerta pelos outros animais, que acabam mantendo distância. Afinal, o veneno da coral-verdadeira é altamente tóxico e atinge o sistema nervoso. A exceção são as aves de rapina, que conseguem predar as cobras sem serem picadas, e os gambás, comprovadamente resistentes aos venenos das serpentes.

Algumas espécies de falsa-coral vão além da aparência física para se disfarçar, copiando também comportamentos. Um exemplo é a Erythrolamprus aesculapii, que enrola a ponta da cauda e a expõe para cima para proteger a cabeça, uma estratégia de defesa usada pela coral-verdadeira. Além disso, assim como as corais-verdadeiras, as falsas também possuem o costume de ficar no solo e se esconder em meio à vegetação.

Apesar da diferenciação entre coral verdadeira e falsa, se engana quem pensa que as falsas são inofensivas: existem algumas espécies que são peçonhentas e agressivas, e podem causar acidentes. A diferença é que o veneno delas é bem menos potente do que o da coral-verdadeira e não exige aplicação de soro – mas isso não significa que é seguro tentar segurá-las ou tocá-las.

Com informações Aline Tavares (Butantan)

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FH, 14/03/25

 

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