Feira de Santana 27 de maio de 2023

Caramujos proliferam em área residencial não capinada pela Prefeitura

Pesquisa da Fiocruz indica que caramujos estão
relacionados a doenças como meningite

Caramujos estão proliferando em matagais na rua Juparana, situada entre o bairro Cidade Nova e a avenida Fraga Maia, em Feira de Santana. O mato nasce e cresce fora do meio-fio e invade os passeios, o que também força os transeuntes a andarem pela rua, em meio aos carros. O proprietário de um terreno murado e que possui passeio de cimento, que não quis se identificar, mostrou à reportagem do Feira Hoje uma solicitação de capinação protocolada na Prefeitura em julho de 2022, que nunca foi atendida.

O matagal tem trazido transtornos aos moradores, como medo de assaltos no período da noite, quando trafegam à pé ou vão guardar os automóveis na garagem. “Existem pés de mamona no local que crescem e são capazes de esconder uma pessoa”, observou o proprietário do terreno, que também reclama de lixo jogado no local.

Publicidade @DiadaJoias

Publicidade @DiadaJoias

Conforme disse, vez ou outra paga a alguém para “baixar” o mato, que volta a crescer. “Não é justo que tenhamos despesas com serviços que é da Prefeitura”. Ele conta que há uns seis anos recebeu notificação de um fiscal do município, na qual constava ordem para que construísse o passeio em três meses, senão seria multado. “Atendi imediatamente e comuniquei à Prefeitura. Na oportunidade, perguntei sobre a responsabilidade de capinação fora do passeio, e eles garantiram que era com eles”.

Equipe pequena

Sobre os caramujos, o proprietário afirmou que tem jogado sal marinho no matagal, seguindo orientação de amigos. “Tem dado resultado, mas, pouco tempo depois os caramujos voltam a aparecer”, lamentou. Sobre à propriedade, ele disse que cuida da área interna do terreno não apenas no que diz respeito à proliferação de caramujos, mas que também não permite acúmulo de água, para evitar o aparecimento do mosquito Aedes aegypti, que transmite doenças.

A reportagem do Feira Hoje já foi acionada antes sobre o problema da falta de capinação nessa região. Contatos foram mantidos com agentes da Secretaria Municipal de Serviços Públicos. Eles afirmaram que conhecem a situação, mas que a área está fora do cronograma de capinação da Prefeitura para os próximos meses. E que não existe equipe em número suficiente de funcionários para atender toda a cidade da forma que deveria ser feito.

Meningite

Conforme publicação da Fiocruz, o caramujo é dotado de alta capacidade de reprodução e se disseminou em 23 estados brasileiros. “Os impactos para a biodiversidade são evidentes, mas os riscos à saúde pública também preocupam: vários casos de meningite estão relacionadas ao molusco”, afirma a Fundação. “Prevenção no contato com o animal e o controle das populações do caramujo são fundamentais”.

“Nos ambientes urbanos as populações desses moluscos são densas, invadem e destroem hortas e jardins. Como são formadas por animais de grande porte, com 10 cm em média, causam transtornos às comunidades das áreas afetadas”, esclarece a pesquisadora Silvana Thiengo, responsável pelo Laboratório de Referência Nacional em Malacologia Médica do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Segundo a especialista, um exemplar do molusco pode colocar uma média de 200 ovos por postura e se reproduzir mais de uma vez ao ano. “As numerosas populações desse molusco no Brasil devem-se principalmente ao seu grande potencial biótico e à ausência de patógenos específicos. Apesar de serem herbívoros, são muito vorazes e pouco exigentes para se alimentar, comendo praticamente de tudo”, explica.

Feira Hoje, 27/05/23

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on RedditShare on LinkedInEmail this to someoneShare on Tumblr


Buscar

Ad
Ad

Impresso Especial

Ad