Professora da Uefs Elizete Silva recebe o título de Cidadã Feirense
A professora doutora da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Elizete da Silva, foi homenageada em sessão solene que ocorreu na noite de quinta-feira (24) na Câmara Municipal de Feira de Santana (CMFS). Proposta por Ivamberg dos Santos Lima (PT), a honraria é fruto do decreto legislativo n°. 13/2021. ´´A professora Elizete devotou sua vida ao ensino, à pesquisa e à extensão´´, destacou o vereador. Ele descreveu a trajetória científica, institucional e social da professora: ´´é uma profissional muito respeitada no meio acadêmico e tem seu reconhecimento consolidado pela sociedade feirense´´. E a qualificou como ´´filha de Feira de Santana´´. ´´Sua vida, sua obra, é um verdadeiro legado que está sendo desfrutado pela atual geração e, com certeza, também, [o será] por gerações futuras. Salve a universidade pública, salve o conhecimento. Parabéns, professora´´, finalizou o edil em seu discurso.
Além do edil proponente da homenagem e da professora homenageada, participaram da composição da mesa de sessão solene ainda o reitor da Uefs, Evandro do Nascimento, a pró-reitora de Extensão (Proex), doutora Rita Brêda; e os edis Luciane Aparecida Vieira (MDB), primeira secretária da CMFS, e Jônatas Monteiro (Psol).
No plenário, representando a Uefs, estavam a chefe de gabinete da reitoria, Taise Bonfim; a pró-reitora de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (Propaae), doutora Sandra Nívea de Oliveira; a assessora técnica da Associação de Relações Institucionais (AERI), Jocelisa Chaves; o diretor do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF) da Uefs, doutor Magno Macambira; o professor doutor Washington Almeida Moura [ex vice-reitor]; a professora do Mestrado Profissional em Planejamento Territorial, doutora Nacelice Barbosa Freitas; o ex-reitor, doutor José Carlos Barreto de Santana; e João Rocha Sobrinho, professor do DCHF e esposo da homenageada.
Representando o deputado federal José Neto (PT), o advogado Aurelino Bento participou do evento. Membros da sociedade civil também estavam no plenário, como a integrante dos Movimentos Negro Unificado e de Organização de Mulheres em Defesa da Cidadania e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) em Feira de Santana, professora Ivannide Santa Bárbara; entre outras(os).
A homenageada lembrou de ex-alunos, inclusive da Uefs, que hoje atuam pelo poder Legislativo municipal e a motivaram a se permitir ser socialmente reconhecida através da homenagem simbólica pela concessão do título de Cidadã Feirense. Ainda assim, Elizete da Silva lamentou sobre o cenário da pandemia de Covid-19, que registra os mais de 644 mil brasileiros mortos. ´´Poderia ter sido tratada de forma responsável, e não foi´´, disse ela em críticas ao Governo Federal. A pesquisadora sinaliza que ´´as populações negras e indígenas foram as que mais sofreram o maior número de mortes, de vidas ceifadas ou sequeladas pela Covid´´. E comentou sobre negligências à legitimidade da ciência e de instituições sociais e à adoção de cuidados sanitários: “não sou negacionista, sou a favor da vacina e sou a favor [do uso] da máscara“.
Elizete da Silva discorreu sobre os sentidos de ser “cidadã feirense“, mesmo sendo natural de Muritiba, município da região Recôncavo da Bahia: “Feira de Santana sempre esteve em minha memória afetiva como lugar familiar e acolhedor“. “Meus pais moraram no Instituto Bíblico Batista durante o tempo que o meu pai, Cândido Geraldo da Silva, fez a sua formação pastoral, e a minha mãe, Joselita Bastos da Silva, trabalhou na Sociedade de Senhoras Batista, aqui em Feira de Santana“, relatou. Ela recordou quando começou a morar “definitivamente em Feira de Santana“ no ano de 2007, no bairro de Conceição I, e da proximidade com outros professores da Uefs, de quem se tornaram amigos. Se orgulhou em destacar o momento ao qual fez concurso público para ingressar na Uefs, ano de 1978, quando as trajetórias dela e Uefs se encontraram…
“É uma instituição nova, fundada em 1976, e começando a montar seus cursos e quadro docente. Fiz concurso para [lecionar] História do Brasil por incentivo da minha querida mestra, professora [doutora] Marli Geralda Teixeira, minha orientadora acadêmica e da vida. A Uefs me deu régua e compasso. Pois eu era uma jovem recém-formada, de 21 anos. Portanto, grande parte da minha vida, eu vivi na Uefs. Todas as atividades que foram consideradas relevantes para concessão dessa honraria, senhores vereadores, me foram concedidas não pelo merecimento pessoal, mas pelo cumprimento de meus deveres de professora, de historiadora na Universidade Estadual de Feira de Santana“, contou Elizete da Silva, frisando os princípios que estruturam todos seus passos: “a defesa da universidade pública e a luta contra o racismo e a intolerância religiosa“.
Elizete da Silva fez graduação em História e mestrado em História Social, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); doutorado em História Social, pela Universidade de São Paulo (USP). E realizou Pós-doutorado na área de Ciências Humanas, pela Universidade de Évora, em Portugal. Aposentada pela UFBA, atualmente é professora e pesquisadora da Uefs.
Ascom/Uefs
FH, 27/02/22




