Covid-19 pode reduzir o colesterol bom e elevar níveis de triglicérides
Resultados de pesquisas desenvolvidas pelo Butantan sugerem que a infecção pelo vírus SARS-CoV-2 causa alteração dos perfis lipídicos no sangue dos pacientes associada à gravidade da doença. Os pesquisadores observaram que, de acordo com a severidade da doença, os parâmetros lipídicos se modificam e geram uma dislipidemia, caracterizada principalmente pela diminuição do HDL (o chamado colesterol bom) e pelo aumento nos níveis de triglicérides no sangue.
Esta mesma dislipidemia foi observada em pacientes que não possuíam diabetes mellitus do tipo 2 ou obesidade como condição pré-existente, confirmando que a alteração não é decorrente da existência de comorbidades. As análises demonstraram ainda que um aumento na razão entre neutrófilo e linfócitos (NLR), um parâmetro inflamatório, acompanha a dislipidemia e a severidade da doença. Todos esses indicadores são importantes para o funcionamento do corpo e possuem uma faixa considerada normal.
Com a pandemia de Covid-19, o Butantan uniu os esforços de diversas áreas para entregar o melhor de cada uma a favor do entendimento do novo coronavírus. Entre elas está o Laboratório de Sinalização e Dor (LEDs), do Centro de Desenvolvimento e Inovação do instituto, que juntou a expertise de diferentes pesquisadores científicos à equipe médica da Rede Municipal de Taubaté, atuante na linha de frente à Covid-19, para estudar as alterações dos parâmetros lipídicos (de gordura) no sangue de pacientes acometidos pela Covid-19.
A pesquisadora científica Sonia Aparecida Andrade, responsável por esta parceria, explica que para conduzir o estudo, os pesquisadores analisaram coletas sanguíneas de quatro grupos diferentes: o de controle, com indivíduos saudáveis e sem histórico de infecção por Covid-19, e os de pacientes, divididos em casos leves, moderados e graves. Parte da pesquisa foi recentemente aceita para publicação pela revista científica Blood Cells, Molecules and Diseases.
Em uma segunda etapa, os pesquisadores vão avalizar o perfil de moléculas – como proteínas e peptídeos, e seus metabólitos – no sangue dos pacientes. Isso será feito por meio de tecnologias ômicas (proteômica, metabolômica, entre outras), que vão permitir que os pesquisadores analisem as diferenças nos parâmetros hemostáticos dos voluntários e os correlacionem à severidade da doença. Depois dessa etapa, com duração de pelo menos um ano, possivelmente serão revelados marcadores moleculares após infecção pelo SARS-CoV-2.
Fonte: Butantan
FH, 22/09/21




