Câmara Federal 15 de junho de 2021

Especialistas criticam ausência de programação de combate ao racismo na EBC

Participantes de audiência pública da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados criticaram nesta segunda-feira (14) a ausência, na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), de programação voltada para o combate ao racismo.

Segundo o cineasta e doutor em Comunicação Joel Zito Araújo, que já fez parte do Conselho Consultivo da empresa, atualmente a EBC está desconectada da realidade brasileira, deixando assim de cumprir seu papel de comunicação pública.

“Hoje eu vejo a transformação da TV Brasil em quase que uma televisão chapa branca. Eu não vejo ali espelhado um esforço dessa televisão de estar conectada com a maior preocupação do Brasil neste momento, que é esse profundo desastre social com a morte de quase 500 mil brasileiros pela Covid. Eu não vejo a EBC envolvida em campanhas educativas para ajudar o brasileiro a se cuidar. Eu não vejo no jornalismo da atual EBC a preocupação que se tinha antes com problemas graves da sociedade brasileira, como o extermínio da juventude negra nas periferias brasileiras”, disse Araújo.

A jornalista da EBC Juliana Cézar Nunes afirmou que é preciso resgatar os dez primeiros anos da empresa, quando era feita uma comunicação pública representativa da população brasileira de maioria negra, para que a emissora volte a ter um conteúdo de televisão pública de combate ao racismo.

Ao ser criada, a EBC ficou responsável pelos canais de rádio e TV que eram dirigidos pela estatal Radiobrás e pela Associação de Comunicação Educativa Roquette-Pinto. O objetivo da nova empresa era unificar e gerir as emissoras federais já existentes, instituindo o Sistema Público de Comunicação.

O diretor-geral da EBC, Roni Baskis, afirmou que a montagem da programação das emissoras de TV e rádio não segue determinações de governos. Ele disse ainda que a programação continua sendo ampla, sem orientação para a redução de conteúdos de qualquer temática.

“Não existe qualquer orientação da direção da empresa de que tenha que ter diminuição desse tipo de conteúdo temático”, declarou. “Talvez a única emissora que cumpra toda a legislação com relação à abordagem do tema, inclusive na semana da consciência negra em novembro, seja a Empresa Brasil de Comunicação”, disse Baskis.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) afirmou que a reunião foi motivada por denúncias de que está existindo dentro da EBC uma censura em relação à temática do povo negro.

“Estamos vivendo um processo altamente ideológico e político que tem promovido uma série de atos de censura. A discriminação que nós estamos assistindo, com o cancelamento de programas e de políticas públicas, censura em campanhas publicitárias e de comunicação, isso tem impactado principalmente as questões raciais”, disse a parlamentar.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, foi convidado para participar da reunião, mas não compareceu.

Karla Alessandra – Agência Câmara
Edição – Pierre Triboli

FH, 15/06/21

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on RedditShare on LinkedInEmail this to someoneShare on Tumblr


Buscar

Ad
Ad

Impresso Especial

Ad