A Bahia perde a batida ancestral de Nilton Rasta
Percussionista, artesão, capoeirista e líder comunitário, Nilton Rasta deixa um legado de três décadas de dedicação à cultura afro-brasileira em Feira de Santana
Um mestre da percussão e da vida
A manhã desta segunda-feira (29) trouxe a triste notícia da partida de José Ivanito de Jesus Portela, conhecido como Nilton Rasta. Aos 62 anos, o percussionista, artesão e capoeirista faleceu após lutar contra um câncer de próstata. Internado no Hospital Dom Pedro de Alcântara, em Feira de Santana, ele encerra uma trajetória marcada pela música, pela arte e pelo compromisso com a valorização das raízes afro-brasileiras.

Nilton Rasta em frente à casa de Dona Pomba, em vídeo sobre a Rua Nova
Guardião da cultura da Rua Nova
Morador do bairro Rua Nova, Nilton Rasta foi muito além dos palcos. Como líder comunitário e ativista cultural, acreditava na percussão e na capoeira como instrumentos de transformação social. Mestre de roda e referência para gerações, ele enxergava a capoeira como resistência e identidade, uma herança viva da luta do povo negro. Presidiu o Afoxé Pomba de Malê, que em 2025 completou 40 anos de atuação na Micareta de Feira de Santana, consolidando-se como um dos símbolos mais fortes da identidade afro-feirense.

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Um legado que atravessa fronteiras
Com mais de três décadas de atuação, Nilton fundou o grupo Batuki da Tribo, participou de projetos musicais diversos e acompanhou artistas renomados. Sua arte o levou a se apresentar em estados de todo o Brasil e em países como Japão e Estados Unidos. Em cada viagem, carregava consigo a força dos tambores e a história de seu povo, tornando-se um dos percussionistas mais respeitados da Bahia.
Raiz, resistência e memória
Nilton era também luthier, fabricando instrumentos musicais que dialogavam com a ancestralidade africana. Via na capoeira não apenas uma arte marcial ou uma dança, mas uma expressão de resistência negra, capaz de unir gerações e inspirar novas trajetórias. Em suas falas e ensinamentos, defendia que a cultura era caminho de dignidade, identidade e transformação social para crianças e jovens das periferias.

A despedida de um símbolo cultural
O velório deverá acontecer na residência da família, na Rua dos Bandeirantes, nº 134, no bairro Rua Nova. Sua partida representa uma perda imensa para Feira de Santana e para toda a Bahia, mas seu legado permanece vivo no som dos tambores, no toque do berimbau, na roda da capoeira e no desfile do Pomba de Malê. Nilton Rasta será lembrado como uma batida ancestral que ecoa além do tempo.
Everaldo Goes / Feira Hoje
Assista ao vídeo ‘Berimbelizando com o percussionista Zé das Congas’
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29/09/25




